domingo, 31 de julho de 2011

O Vale das Sombras.

O caminho de volta já mostrava diferenças. Novas cores.
Mas, ainda assim, foi impossível evitar alguns fantasmas.

Num lugar abandonado, tive uma impressão de ver vidas.
Mas, não vi verdades. Eram apenas escombros de histórias.
De muitas histórias que não terminavam ali.

Já sem medo, saí do Vale das Sombras, vendo algumas luzes.

O silêncio entre nossas cartas.

Duas linhas escritas a mão, duas vidas em outras palavras.
São várias cartas trocadas entre os nossos muitos silêncios.

Esperar, aprender.

A espera.

Numa noite fora de série nossos acasos se encontraram.
Trocamos nomes, trocamos beijos, trocamos sonhos.

Fizemos as nossas escolhas a distância do que nos uniu.
E, de algum modo, o que procuramos colidiu nossos mundos.

Esperar por outra noite é encontrar o desejo por outra vez.

Apostas feitas.

Por quatro faces do mesmo jogo, arrisquei tudo o que eu tinha.
Fé, esperança e alguns poucos trocados em cada mão.

Ainda que nós tenhamos alguns dias até o jogo começar,
Meu maior adversário é temer teu nome entre os jogadores.

As apostas já foram feitas. Agora, só me resta esperar.

Vidas que não se separam.

Todo presente é uma manifestação de um sentimento.
Uma das formas de demonstrar carinho e admiração.

Ser presenteado é encontrar, em cada objeto, traços
de histórias compartilhadas, de histórias que não acabam.

É sempre bom reler cartas, rever fotos...
Encontrar vidas que não se separam de nós.

Retratos.

Se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade.
E, me atirar, te encontrar foi pra ver que eu me enganei.

Então, deixa ser como será. Eu já posto em meu lugar.
Num continente ao revés, em preto e branco, em hotéis.

Numa moldura clara e simples eu sou aquilo que se vê.

domingo, 10 de julho de 2011

Ninguém disse que era fácil.

Hora de voltar ao início sem andar em círculos, mas recomeçar.
Acreditar numa nova história sem errar nomes nem números.


Fico pensando em quando pela primeira vez vimos o planeta
Terra do alto. Olhando aquela linda bola incandescente.

Quando guerras eram travadas, tempestades causando
destruição. Pessoas estavam nascendo, outras morrendo.

Todos os conflitos humanos… Paixões, dores estariam se
passando ali abaixo daquele véu de nuvens azuladas.

Foi quando percebi que estava fazendo um cavalo de batalhas.

Você ficou de voltar.

Logo mais o despertador tocará sem que eu precise despertar.
O café me deixou ligado e a noite foi um inferno te esperar.


Enfrento o frio que entra pela porta que você deixou aberta.
Quase à luz do dia, eu ainda insisto em esperar a tua ligação.

Se viver fosse viver sem você… Que bom seria.
Mas, não dá mais pra viver sem você, nem mais um dia.

Chame de exagero, diga que é bobagem.

domingo, 3 de julho de 2011

Cidade fantasma.

Sai de lá sem ver nenhum fantasma, apenas nossas promessas.
A cidade estava quase vazia, perfeito para um encontro no fim.


Um encontro tão sonhado, difícil de acreditar que aconteceria.
Mas, aconteceu. Teu corpo lindo, vindo em minha direção.
Foi perfeito do seu jeito. Foi perfeito com o nosso beijo.

Antes, objetos precisos iam surgindo desencadeando o tempo.
Fazendo daquele dia, um jogo com movimentos calculados.
Com uma rara exatidão que o curso do tempo nos provoca.

Até mesmo quando ao longe tudo parecia romper a perfeição.
Chegamos até a última porta e ela abriu como por um encanto.

Para esse dia não cabe outra lembrança além do nosso beijo.
E sem fantasmas de outras histórias sobram apenas promessas.

Memórias.

O olhar pode ir longe. Mergulhar nas memórias do tempo.
Alcançar, nas muitas lembranças, nossos muitos passados.


Quando é possível trazer de volta outro olhar de tão longe…
Reavemos histórias. Escutamos canções que não envelhecem.

O tempo até muda as formas. Mas, não muda os sentimentos.

Olhando o mar.

Um belo sonho veio então despertar minha vontade.
Foi quando te encontrei, ouvindo um som e olhando o mar.


Eu não preciso de promessas e acho que você também.
Eu não tento ser perfeito e acho que você também.

Foi quando te encontrei, ouvindo o som do mar rolar…

terça-feira, 21 de junho de 2011

Grandes ilusões.

Uma palavra mágica e então um truque é feito sem espelhos.
Olhos atentos a qualquer movimento em busca de um deslize.


Um minuto é cheio de ilusão que nos permite viajar no tempo.
Na fantasia de enganar-se sabendo que nada ali pode ser real.

Para quê buscar as respostas? Para quê desmarcar as cartas?
Algumas mentiras podem ser as verdades de grandes ilusões.

Então, a última palavra mágica é dita e a magia chega ao fim.

domingo, 19 de junho de 2011

Cartas com o olhar.

Desde a primeira vez que te vi veio uma certeza…
Conheci a mulher escondida nas letras de tantas canções.


Desse lado do rio posso ver tudo o que é teu…
Muitas vezes me falta o ar e fico sem saber o que dizer…

Não sei o tempo que ainda resta, mas até consegui dizer…
Vou continuar te escrevendo cartas com o olhar.

O amor no seu formato mínimo.

Começou de súbito, mas avançou por horas.


A procura tinha chegado ao fim naquela noite.
Quando os olhares cruzaram o mesmo caminho.

Os lábios se tocaram ásperos, em beijos de tirar o fôlego.
Tímidos, transaram trôpegos e ávidos, gozaram rápido.

Ele procurava álibis, ela flutuava lépida.
Ele sucumbia ao pânico e ela descansava lívida.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

As vezes que falei da Lua.

Há mais de 40 anos o homem pisou na Lua pela primeira vez.
O mundo parou para ver um passo que entrou para a história.



Mas, nem a humanização da Lua a fez perder o seu encanto.
Ainda me seduz quando a noite chega e a vejo passear no céu.

A Lua crescente mostra só uma parte da história, mas sua
luz faz crescer a expectativa do que se forma além das nuvens.

Quando a Lua cheia se aproxima é outra fase que nos espera.
A despedida de 2009 aconteceu sob a luz de uma Lua Azul.
E, a primeira Lua cheia daquele dezembro veio com Antares.

Até quando a Lua foge dos nossos olhos, temos algo a dizer.
Seja nas escolhas presas nos velhos versos de uma canção.
Seja no cinza de uma Lua nova que nunca conseguiríamos ver.

Hoje, a Lua diz mais do que os horóscopos poderiam prever.
Não importa, com a cabeça lá na Lua sigo com o pé na estrada.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Revoltas banais.

Se você ouvisse as vozes que ouço à noite...
Acharia tudo que eu faço natural. Tudo que eu faço normal.


Se você sentisse o medo que eu sinto do escuro...
Se ao menos você soubesse o mal que o sol me faz...

Não me pediria pra repetir gestos banais, frases banais...
Os gestos iguais aos que eu não fiz. Frases que já me arrependi.

Se você ouvisse as vozes que ouço à noite...
São vozes que às vezes me assustam. Outras vezes me atraem.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Imprevisões.

26°C em Fortaleza. Bolsa de valores em queda, dólar em alta.
E meu signo dando sinal verde pra algo interessante acontecer.


Sem surpresas, é só mais um novo dia 9 cheio de imprevisões...

Medidas.

Eram nove horas quando saí de casa.
Cinco minutos depois peguei o ônibus sete cinco e cinco
quadras dali ela sentou do meu lado.


Dois livros no braço e um sorriso no rosto. Os treze
quilômetros seguintes foram curtos demais… Mas agora além
de seu nome carrego comigo os números de seu telefone.

Corações a mais de mil. E eu? O que faço com esses números?

domingo, 5 de junho de 2011

Um sonho bom.

Às vezes o acaso surpreende querendo tramar algum destino.
Faz surgir um novo caminho em noites que pertenciam a nós.


Fechamos os olhos e selamos nossas escolhas, nossas vidas.
Então, os acasos foram ficando para trás e segui o teu olhar.

Juntos, fomos levando aquela noite traçando um novo rumo.
Longe demais para voltar. Perto demais de onde queríamos ir.

De repente o céu ficou claro, teu corpo ainda em meus braços.
Como explicar o desejo de continuar? Mas, nós paramos ali.

Nada melhor do que uma noite perfeita para nos fazer sonhar.
E acordar no outro dia ainda sentindo o último beijo acontecer.

sábado, 4 de junho de 2011

96 Horas - Parte 4/4

Nessas 96 horas o acaso se construiu de uma forma mágica.
Todos nós parecíamos peças de um imenso jogo de xadrez.


Quem nos movia, conseguia entender cada consequência.
Quem nos temia, parecia perder qualquer descrença.

Em noventa e seis horas o passado se refez de várias formas.
E o futuro brincou de não existir.

Anoiteceu em Fortaleza.

96 Horas - Parte 3/4

Cruzamos a metade do tempo que ainda nos resta até o final.
4h57 foi quando despertamos, antes do terceiro sol chegar.


O último endereço digitado no GPS e encontramos a 1ª bomba.
Entre as engrenagens de um gigantesco relógio no nono andar.
O desarme aconteceu sem precisar cortar nenhum fio colorido.

Para a segunda bomba uma equipe de elite foi implantada.
São quatro nomes fortes, são quatro fortes elementos.
A partir de agora, cada vez mais, menos tempo nós teremos.

Mesmo que por ventura possamos resgatar alguma história.
Nenhum futuro se mostra sem algum resquício de passado.

A maratona final se aproxima de uma jornada além das estrelas.
A cidade que agora parece menor. Falta pouco, muito pouco.

E os olhos cansados imploram por adormecer.
22h37.

96 Horas - Parte 2/4

5h da manhã. O despertador pareceu tocar ainda mais alto.
O curto cochilo foi interrompido para o dia continuar corrido.


7h35 e as máquinas relutavam alguma ligação. Acesso negado.
Tudo parecia repetir. Voltar o tempo sem fazer o tempo voltar.

Antes das 9h30 os velhos sonhos cruzaram nossos olhares.
Queria ter ouvido aquela voz. Mas, nós fingimos mentir outra vez.
Pouco tempo depois, outra carta branca caia em minhas mãos.

O branco era a única ligação. Sem as cores que me confundem.
10h45 e os passos ainda não conseguem acompanhar o prazo.

Antes das 14h o mesmo olhar volta como um agradável refúgio.
No rádio, o som do Capital Inicial ainda me fazia sentir em casa.

Outra vez tudo escurece, sem que o dia termine.
A fuga em duas rodas me fez alcançar às 22h.

Agora, mais um gole de café para vencer esse dia interminável.
22h13.

terça-feira, 31 de maio de 2011

96 Horas – Parte 1/4

Eram 5h da manhã quando o despertador tocou e muito alto.
Saltei da cama. Tirado de um sonho que não me lembro mais.


Antes de sair de casa ainda dei uma nova lida num velho texto.
Então, assim começou o dia que só terminará 96 horas depois.

A primeira prova de fogo ficou entre minhas mãos e meu olhar.
A despedida aconteceu tão breve quanto nosso primeiro beijo.
É difícil entender os caminhos para ficarmos juntos outra vez.
Embora, aquele mundo perfeito feito de papel ainda continue.

Das verdades que suspeitei existir, fiz questão de negar uma.
Mas, esse quase interminável dia estava apenas começando.

Ainda 8h30, consegui digitar a primeira coordenada no GPS.
Corri contra o tempo, pela contramão, contrariando fantasmas.
Deixei cair horas perdidas pelos caminhos errados. 12h, agora.

A outra coordenada no GPS era digitada e parecia tudo em paz.
Mas, é preciso interromper um jogo para que outro comece.
E, exatamente às 13h novos elementos entraram em cena.

16h45, uma pausa, um leve respiro e então de volta as ruas.
A cidade parece crescer mais quando agimos com pressa.

A noite já caiu, mas esse dia ainda continua longe de terminar.
21h35.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Contradições em tons de cinza...

Entre o preto e o branco, entre o certo e o errado.
Sobram razões, fins opostos de duas verdades.


Navios em alto mar cruzam rotas entre o norte e o sul
como o bem e o mal nas duas faces de uma mesma moeda.

Da mesma parada de ônibus o caminho se inverte.
O ponto médio se torna o doce lar em um percurso
com dois destinos: as extremidades de mundos opostos.

Como duas folhas que acabam de cair em contradição.

domingo, 29 de maio de 2011

Correria...

Caminhando a passos largos despistei o atraso.
Mudei o rumo e ainda cheguei a tempo.


A tempo de ver na despedida algo mais.
Mas a vida não permite ensaios…

Corri contra o tempo, sem prever contratempos.
Mas estava ligado. Lá no alto ou lá no fundo é vertical.

Quando chega a hora é mais legal.
Saber todo mundo sabe… Mais fácil falar do que fazer.

Eu não sou santo, mas não minto.

O mesmo olhar.

Eu quase pude ouvir uma das canções de muito tempo atrás.
Quando o mesmo olhar se repetiu no acaso de dois caminhos.


Talvez nem existam nomes, tampouco números para se trocar.
Apenas outros olhares que irão se repartir por outro caminho.

Sem as sombras da sorte que os dados viciados podem trazer.

Pela madrugada.

As horas não vão dando conta do que ainda precisa ser feito.
E, o café é apenas o combustível de outra noite não dormida.


Lá fora, as luzes artificiais iluminam os corpos em movimento.
Mais músicas altas sempre se despertam alem da madrugada.

Até amanhecer, eu carrego comigo os estragos da noite…
Cinco da manhã, nada diferente. Chegamos ao dia de amanhã.

Imperfeita simetria.

A vida é uma viagem. Passagem só de ida…
Bebida sem gelo engolida ás pressas… Ás vésperas da sede.


Mudei as estações do rádio sem saber o que eu queria ouvir.
Qualquer canção bastaria para não repetir a mesma história.

Assim, a imperfeita simetria faz o mundo girar.

domingo, 22 de maio de 2011

Quando é impossível esquecer.

A música pode até parar, mas ainda ouviremos algum som.
Sempre sobram algumas lembranças de acordes sobrepostos.


Quando sentimos falta de quem acompanhou nossos passos.
É a saudade que traz a lembrança de sentimentos sobrepostos.

Quase tudo se torna motivo para teu nome voltar à mente.
Mas teu olhar não está mais do lado. Ficou perdido para trás.

Longe de ti, espero o giro dos mundos para voltar a te ver.

Múltiplas histórias.

Uma hora, por algum lugar. Outro dia, com um novo olhar.
Por mais de uma vez as mesmas sombras deixam de existir.


Nossos caminhos se dispersam nas encruzilhadas do tempo.
Um sim, um não. Tanto faz quando algum talvez permaneça.

Mais histórias são vividas e cabem todas no mesmo dia.
Sem o peso das mentiras que nós não evitamos mais contar.

E, assim, as múltiplas histórias se sustentam no mesmo olhar.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Lua nova no céu...

Volto à velha cidade onde junto ao mar eu a conheci.
As ondas vinham beijar a praia, o sol brilhava…


Hoje a noite não tem luar e eu estou sem ela.
Caminhando na areia deixo a onda me acertar.

A linha do horizonte me distrai e o vento vai levando tudo
embora, deixando apenas a saudade dos nossos planos.
Agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou.

As estrelas brilham ao lado de uma lua nova.
Numa outra hora ela vai aparecer.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O começo do dia.

A chuva no fim não ajuda a contar como foi o começo do dia.
Quando tudo nos parecia igual e um sim mudou os sentidos.


Nosso dia que custou a passar não terminaria sem a chuva.
Sem a lembrança do primeiro olhar que o dia ainda guarda.

Deixamos promessas em volta da espera de outras marcas.
Outros presentes que poderão surgir antes do tempo fechar.

Sempre algo nos revela que o fim da história se aproxima.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Deixando escapar.

A chuva caiu logo cedo e tirou a luz do que seria um bom dia.
As ruas ficaram em transe. O caos aconteceu em todo lugar.


Velhos pensamentos se prenderam nas memórias de ontem.
Nos sentimentos ilhados de qualquer esquina, qualquer dia.

Uma corrida por outro abrigo e encontrei um olhar dividido.
Duas histórias prestes a recomeçar em um dia com pouca luz.

O tempo seguiu seu curso e eu a deixando escapar outra vez.

sábado, 30 de abril de 2011

Tetris.

As peças surgiam sem pretensões, uma de cada vez.
À margem do tempo, à sombra da maldade.

 

Até que 4 meninas surgiram e 4 mentiras se foram.
A lua cheia se aproxima. Outra fase nos espera.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Esquecimento.

Existe um lugar onde tudo é guardado: nomes, números, vidas.
As chaves que abrem esse lugar ficam perdidas, longe de nós.


Para alcançar as chaves, temos só os caminhos das lembranças.
Mas, nem sempre encontramos tudo o que um dia aconteceu.

Nossas memórias permanecem inconscientes, inconsistentes.
E, ter de volta algum nome, números ou vidas, nos exige mais.

Mas, tudo permanece seguro. Embora preso no esquecimento.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A sala escura.

Aquela sala era o único lugar tranquilo naquela manhã.
Poucos murmúrios e algumas folhas virando qualquer leitura.


As luzes se apagaram e surgiam na tela cores de muito longe.
Sons estranhos de um filme estrangeiro, com menos encanto.

Na sala, um olhar quase arredio seguiu de dois passos em fuga.
Na tela, poucas vidas se rendiam numa trama que perdia valor.

Nem todo filme é feito para ter um final feliz.

domingo, 24 de abril de 2011

alívio...

Dois corpos em movimento e o universo em expansão.
A imperfeição das horas atrasa o relógio de areia.


E tão demente quanto um raio, a noite cai por terra.
De alturas impossíveis, de repente, diante de nós.

Que a chuva caia como uma luva... Um dilúvio, um delírio.
Que a chuva traga alívio... Imediato.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um trago e dois retratos.

Bastou um trago para prender o teu sorriso por todo meu dia.
Até pelas ruas que sempre andei te via em reencontros banais.


Bastou um trago para perder o medo, perder a vez de escolher.
Até tentamos esconder traços de noites passadas, mas em vão.

Bastou um trago para deter o silêncio, sair para lados opostos.
Então, nós levamos embora dois retratos, um em cada mão...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Loteria.

Pura sorte ou sua completa ausência.
Puro acaso ou intervenção divina.


Na mesma esquina mais um destino passa batido.
Na loteria sem vícios, outras vidas passam a vez.

Por que será que a gente cruza o rio atrás de água
e diz que não está nem aí? Finge que não está nem aí?

domingo, 17 de abril de 2011

Scrabble.

As palavras foram se cruzando predefinidas pelo acaso.
Cada pedra lançada ao tabuleiro fazia surgir novos caminhos.


Entrelaçando vícios e virtudes. Cada nova encruzilhada fazia da
liberdade um desafio. E assim tudo começou…

O diálogo se prolonga noite adentro... Vida a fora.
Sei que lá fora brilham luzes artificiais.

sábado, 16 de abril de 2011

O giro dos mundos.

São tantas as vezes que passamos pelos mesmos lugares, pelas
mesmas ruas, sem dar conta do que há em volta de cada olhar.


São tantos os mundos que giram sem arriscar alguma colisão.
E, que são levados por rotas simultaneamente intermináveis.

Quando paramos por algum instante, percebemos os vários
fragmentos das histórias presas numa mesma semiose infinita.

E ao voltarmos pro nosso caminho, nem tudo volta pro lugar.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Alguns trocados.

Um mundo de possibilidades cai sobre os nossos devaneios.
Encontramos um mercado onde se troca tudo por quase nada.


Então, dois olhares, duas novas vidas, se aproximam fortes.
Mas, as suas imensas diferenças os tornam quase intocáveis.

O encantamento imediato destrói o que nos levou ao passado.
Mas, não são todas as histórias antigas que terão o mesmo fim.

São apenas alguns trocados que esgotarão um dia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Lados opostos.

Com a mesma força que duas histórias se aproximam...
Também podem se afastar e ainda continuarem existindo.


Todo dia algum olhar finge se perder por qualquer caminho.
Mas, quando um par vira dois ímpares, não há para onde fugir.

As duas vidas ficam divididas em lados opostos da mesma cidade.

sábado, 2 de abril de 2011

Simulacros.

Todo dia tentamos reconstruir o que acreditamos ser verdade.
Pegamos peças soltas na memória e montamos um novo olhar.


Mas, um dia todo espelho vai ao chão e a ilusão se desfaz.
E, pelas trincas ninguém vê semelhanças com a noite anterior.

Enxergamos apenas uma vida. Sem simulacros.

terça-feira, 29 de março de 2011

Sombras.

Lembranças de uma década, um pouco antiga, surgem firmes.
Com o cheiro da chuva. Com o vento frio que bate contra nós.


É como se de repente pudéssemos ouvir as mesmas músicas e
sentir o tempo voltar para quando nossa história não tinha fim.

Contra a parede vemos as nossas sombras contando mentiras.
Enganando nossos olhos e criando mais do que possamos ver.

Hoje, temos só as sombras de luzes que ofuscam nosso olhar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Alguma verdade.

As horas vão encurtando o dia. De repente, anoitece outra vez.
O escuro que surge esconde as nossas escolhas, faltam opções.


Pelas ruas, luzes artificiais ganham novas cores, menos brilho.
E, é tudo tão efêmero que se desfaz perto do outro amanhã.

Quando novos crimes preenchem velhas manchetes do jornal.
Quando nossas histórias tentam reinventar alguma verdade.

A madrugada prestes a começar é esperada sem muita pressa.

A manhã.

Despertamos de uma noite longa sem lembrar o que passou.
Sem saber quais compromissos que nós deixamos se quebrar.


Assim acordamos numa manhã vazia, sem nomes para repetir.
Sem vestígios de paixão. Apenas dois corpos que sentem sede.

A manhã avança e nada diz mais do que o nosso olhar provoca.
Tudo vai voltando para onde encontraremos outras perguntas.

O tempo impreciso te leva embora junto com a outra manhã.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Linha do tempo.

Ainda é possível ouvir as últimas notas que tocamos no piano.
Foram acordes imprecisos que caíram desalinhando o tempo.


Velhos mundos mudaram sua rota em busca de outra colisão.
Por cada escolha, uma nova linha era traçada a favor do vento.

Não é mais como antes quando nós desafiávamos os sonhos.
Agora, nós já sabemos contar o tempo com outros números.

Duas horas, dois anos. Um minuto, uma imensidão.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ausências.

A luz apagou, as cores sumiram. Os corpos fugiram de se tocar.
E quando ela voltou, não havia mais nada do que eu queria ter.


Uma cadeira vazia no jantar e um olhar perdido pela janela.
Buscamos, sem sucesso, nossas músicas em todas as estações.

Mas, ainda assim, era possível encontrar algo que construímos.
Até nas ausências de sinais, nossas lembranças faziam ligação.

Com as palavras que faltaram ou com a falta que nós fizemos.

Coração de papel.

Papeis jogados pela mesa. Alguns caídos pelo chão.
Promessas divididas em cartas que nunca vamos mandar.


Meu acaso estava em tuas mãos e você me escolheu.
Mesmo sem saber o que eu tinha escrito para te falar.

Sem terminar a nossa história, nós cortamos as sobras.
E, dobramos outros papeis que nos distanciavam.

Criamos um pequeno mundo que batia descompassado.
Um pequeno mundo perfeito que cabia em uma das mãos.

Um pequeno mundo perfeito feito para não durar.

sábado, 12 de março de 2011

Medo de fantasmas.

A lua estava crescente e só mostrava uma parte da história.
A outra metade nós conseguimos esconder entre fantasmas.


Rasuramos nossos nomes nos rascunhos que deixamos cair.
Trocamos ilusões e fantasias por um punhado de vida real.

Mas, são as histórias inacabadas que guardam os fantasmas.
E eles nem sempre esperam anoitecer para provocar calafrios.

O medo recai nos vestígios de nossas mentiras mal ditas.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Entre espelhos.

Espelhos podem confundir a verdade, ou, revelar novas faces.
Para cada pedaço de espelho surge um sentimento, um olhar.


Basta olhar com mais atenção que percebemos novas imagens.
São mensagens presas além do que nós conseguimos refletir.

Enxergar cada saída nos exige caminhar por entre espelhos.

terça-feira, 8 de março de 2011

Lembranças de outros carnavais.

Nós sempre guardamos mais do que retratos de um carnaval.
Muitas vezes são as nossas lembranças que tocam na canção.


Os muitos destinos cruzados encontram nomes e números.
As datas se tornam imprecisas, mas os nomes ficam no lugar.

Os corpos foram entregues além do olhar, além das escolhas.
E, ainda trouxemos conosco o perfume de cada momento.

Na volta pra casa, as estradas no revelaram outras distâncias.

Revelia.

Curtas histórias começam às margens das noites de carnaval.
E a cidade busca tantos reencontros do que se tentou perder.


Pierrôs e colombinas deixam cair suas máscaras, suas fantasias.
Atravessam o salão e se confundem aos mais de mil palhaços.

Essas noites acontecem à revelia da euforia de outras legiões.
Sem máscaras a multidão caminha sem provar suas mentiras.

As ruas, enfim, vão ficando prontas para outro sol nascer.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Razões da vida.

Às vezes o mundo gira tão rápido que até faz o tempo voltar.
Com a mesma indecisão, apesar de refeita diante outras vidas.


As peças soltas encontram o seu lugar em outra frequência.
E montam outra imagem além da que queríamos mostrar.

As surpresas que surgem atraem nosso olhar para mais perto.
Vemos que por outras verdades, todo encanto se perde no fim.

O giro do mundo continua e nada mede as razões da vida.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Muito pouco.

É fácil se acostumar com muito pouco e achar que é demais.
Desbravar uma selva de pedras sem provocar novas escolhas.


É fácil se acostumar com muito pouco e achar que é o máximo.
Perder uma liberdade perene sem saber o quanto tempo faz.

É fácil se acostumar com muito pouco e achar que é normal.