sábado, 30 de abril de 2011

Tetris.

As peças surgiam sem pretensões, uma de cada vez.
À margem do tempo, à sombra da maldade.

 

Até que 4 meninas surgiram e 4 mentiras se foram.
A lua cheia se aproxima. Outra fase nos espera.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Esquecimento.

Existe um lugar onde tudo é guardado: nomes, números, vidas.
As chaves que abrem esse lugar ficam perdidas, longe de nós.


Para alcançar as chaves, temos só os caminhos das lembranças.
Mas, nem sempre encontramos tudo o que um dia aconteceu.

Nossas memórias permanecem inconscientes, inconsistentes.
E, ter de volta algum nome, números ou vidas, nos exige mais.

Mas, tudo permanece seguro. Embora preso no esquecimento.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A sala escura.

Aquela sala era o único lugar tranquilo naquela manhã.
Poucos murmúrios e algumas folhas virando qualquer leitura.


As luzes se apagaram e surgiam na tela cores de muito longe.
Sons estranhos de um filme estrangeiro, com menos encanto.

Na sala, um olhar quase arredio seguiu de dois passos em fuga.
Na tela, poucas vidas se rendiam numa trama que perdia valor.

Nem todo filme é feito para ter um final feliz.

domingo, 24 de abril de 2011

alívio...

Dois corpos em movimento e o universo em expansão.
A imperfeição das horas atrasa o relógio de areia.


E tão demente quanto um raio, a noite cai por terra.
De alturas impossíveis, de repente, diante de nós.

Que a chuva caia como uma luva... Um dilúvio, um delírio.
Que a chuva traga alívio... Imediato.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um trago e dois retratos.

Bastou um trago para prender o teu sorriso por todo meu dia.
Até pelas ruas que sempre andei te via em reencontros banais.


Bastou um trago para perder o medo, perder a vez de escolher.
Até tentamos esconder traços de noites passadas, mas em vão.

Bastou um trago para deter o silêncio, sair para lados opostos.
Então, nós levamos embora dois retratos, um em cada mão...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Loteria.

Pura sorte ou sua completa ausência.
Puro acaso ou intervenção divina.


Na mesma esquina mais um destino passa batido.
Na loteria sem vícios, outras vidas passam a vez.

Por que será que a gente cruza o rio atrás de água
e diz que não está nem aí? Finge que não está nem aí?

domingo, 17 de abril de 2011

Scrabble.

As palavras foram se cruzando predefinidas pelo acaso.
Cada pedra lançada ao tabuleiro fazia surgir novos caminhos.


Entrelaçando vícios e virtudes. Cada nova encruzilhada fazia da
liberdade um desafio. E assim tudo começou…

O diálogo se prolonga noite adentro... Vida a fora.
Sei que lá fora brilham luzes artificiais.

sábado, 16 de abril de 2011

O giro dos mundos.

São tantas as vezes que passamos pelos mesmos lugares, pelas
mesmas ruas, sem dar conta do que há em volta de cada olhar.


São tantos os mundos que giram sem arriscar alguma colisão.
E, que são levados por rotas simultaneamente intermináveis.

Quando paramos por algum instante, percebemos os vários
fragmentos das histórias presas numa mesma semiose infinita.

E ao voltarmos pro nosso caminho, nem tudo volta pro lugar.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Alguns trocados.

Um mundo de possibilidades cai sobre os nossos devaneios.
Encontramos um mercado onde se troca tudo por quase nada.


Então, dois olhares, duas novas vidas, se aproximam fortes.
Mas, as suas imensas diferenças os tornam quase intocáveis.

O encantamento imediato destrói o que nos levou ao passado.
Mas, não são todas as histórias antigas que terão o mesmo fim.

São apenas alguns trocados que esgotarão um dia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Lados opostos.

Com a mesma força que duas histórias se aproximam...
Também podem se afastar e ainda continuarem existindo.


Todo dia algum olhar finge se perder por qualquer caminho.
Mas, quando um par vira dois ímpares, não há para onde fugir.

As duas vidas ficam divididas em lados opostos da mesma cidade.

sábado, 2 de abril de 2011

Simulacros.

Todo dia tentamos reconstruir o que acreditamos ser verdade.
Pegamos peças soltas na memória e montamos um novo olhar.


Mas, um dia todo espelho vai ao chão e a ilusão se desfaz.
E, pelas trincas ninguém vê semelhanças com a noite anterior.

Enxergamos apenas uma vida. Sem simulacros.