terça-feira, 29 de março de 2011

Sombras.

Lembranças de uma década, um pouco antiga, surgem firmes.
Com o cheiro da chuva. Com o vento frio que bate contra nós.


É como se de repente pudéssemos ouvir as mesmas músicas e
sentir o tempo voltar para quando nossa história não tinha fim.

Contra a parede vemos as nossas sombras contando mentiras.
Enganando nossos olhos e criando mais do que possamos ver.

Hoje, temos só as sombras de luzes que ofuscam nosso olhar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Alguma verdade.

As horas vão encurtando o dia. De repente, anoitece outra vez.
O escuro que surge esconde as nossas escolhas, faltam opções.


Pelas ruas, luzes artificiais ganham novas cores, menos brilho.
E, é tudo tão efêmero que se desfaz perto do outro amanhã.

Quando novos crimes preenchem velhas manchetes do jornal.
Quando nossas histórias tentam reinventar alguma verdade.

A madrugada prestes a começar é esperada sem muita pressa.

A manhã.

Despertamos de uma noite longa sem lembrar o que passou.
Sem saber quais compromissos que nós deixamos se quebrar.


Assim acordamos numa manhã vazia, sem nomes para repetir.
Sem vestígios de paixão. Apenas dois corpos que sentem sede.

A manhã avança e nada diz mais do que o nosso olhar provoca.
Tudo vai voltando para onde encontraremos outras perguntas.

O tempo impreciso te leva embora junto com a outra manhã.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Linha do tempo.

Ainda é possível ouvir as últimas notas que tocamos no piano.
Foram acordes imprecisos que caíram desalinhando o tempo.


Velhos mundos mudaram sua rota em busca de outra colisão.
Por cada escolha, uma nova linha era traçada a favor do vento.

Não é mais como antes quando nós desafiávamos os sonhos.
Agora, nós já sabemos contar o tempo com outros números.

Duas horas, dois anos. Um minuto, uma imensidão.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ausências.

A luz apagou, as cores sumiram. Os corpos fugiram de se tocar.
E quando ela voltou, não havia mais nada do que eu queria ter.


Uma cadeira vazia no jantar e um olhar perdido pela janela.
Buscamos, sem sucesso, nossas músicas em todas as estações.

Mas, ainda assim, era possível encontrar algo que construímos.
Até nas ausências de sinais, nossas lembranças faziam ligação.

Com as palavras que faltaram ou com a falta que nós fizemos.

Coração de papel.

Papeis jogados pela mesa. Alguns caídos pelo chão.
Promessas divididas em cartas que nunca vamos mandar.


Meu acaso estava em tuas mãos e você me escolheu.
Mesmo sem saber o que eu tinha escrito para te falar.

Sem terminar a nossa história, nós cortamos as sobras.
E, dobramos outros papeis que nos distanciavam.

Criamos um pequeno mundo que batia descompassado.
Um pequeno mundo perfeito que cabia em uma das mãos.

Um pequeno mundo perfeito feito para não durar.

sábado, 12 de março de 2011

Medo de fantasmas.

A lua estava crescente e só mostrava uma parte da história.
A outra metade nós conseguimos esconder entre fantasmas.


Rasuramos nossos nomes nos rascunhos que deixamos cair.
Trocamos ilusões e fantasias por um punhado de vida real.

Mas, são as histórias inacabadas que guardam os fantasmas.
E eles nem sempre esperam anoitecer para provocar calafrios.

O medo recai nos vestígios de nossas mentiras mal ditas.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Entre espelhos.

Espelhos podem confundir a verdade, ou, revelar novas faces.
Para cada pedaço de espelho surge um sentimento, um olhar.


Basta olhar com mais atenção que percebemos novas imagens.
São mensagens presas além do que nós conseguimos refletir.

Enxergar cada saída nos exige caminhar por entre espelhos.

terça-feira, 8 de março de 2011

Lembranças de outros carnavais.

Nós sempre guardamos mais do que retratos de um carnaval.
Muitas vezes são as nossas lembranças que tocam na canção.


Os muitos destinos cruzados encontram nomes e números.
As datas se tornam imprecisas, mas os nomes ficam no lugar.

Os corpos foram entregues além do olhar, além das escolhas.
E, ainda trouxemos conosco o perfume de cada momento.

Na volta pra casa, as estradas no revelaram outras distâncias.

Revelia.

Curtas histórias começam às margens das noites de carnaval.
E a cidade busca tantos reencontros do que se tentou perder.


Pierrôs e colombinas deixam cair suas máscaras, suas fantasias.
Atravessam o salão e se confundem aos mais de mil palhaços.

Essas noites acontecem à revelia da euforia de outras legiões.
Sem máscaras a multidão caminha sem provar suas mentiras.

As ruas, enfim, vão ficando prontas para outro sol nascer.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Razões da vida.

Às vezes o mundo gira tão rápido que até faz o tempo voltar.
Com a mesma indecisão, apesar de refeita diante outras vidas.


As peças soltas encontram o seu lugar em outra frequência.
E montam outra imagem além da que queríamos mostrar.

As surpresas que surgem atraem nosso olhar para mais perto.
Vemos que por outras verdades, todo encanto se perde no fim.

O giro do mundo continua e nada mede as razões da vida.